Resenha - Recusando-se a Ser Homem: Ensaios sobre Sexo e Justiça - John Stoltenberg
Depois de algum tempo traduzindo trabalhos anti-femistas ou pró-direitos dos homens, eu achei que seria uma boa ideia tentar, para efeitos de comparação e análise, tentar “atacar” uma obra feminista. Como já tinha ouvido falar do autor do livro em questão, decidi verificar em primeira mão o que ele escreveu.
Essa decisão, nos dias e meses seguintes, se provou um teste de sanidade e, sinceramente, da minha vontade de viver.
Para quem não sabe, John Stoltenberg é um “homem feminista”, ou “feministo” dos mais radicais. Tendo como mentora Andrea Dworkin, feminista radical de segunda onda e separatista lésbica feminista, muito do que ele escreve é baseado na obra dela. Ele chegou até mesmo a casar com ela (não sei se oficialmente ou figurativamente). O que é engraçado, considerando que ela era lésbica e ele é gay.
A orientação sexual dele influenciou muito do seu pensamento anti-homem e anti-masculinidade. Em resumo, ele projetou suas experiências negativas crescendo como homem gay para refletir a mentalidade de todos os homens. Isso, aliado com a mentalidade feminista ginocêntrica e misândrica, é característico de tudo o que ele escreve.
Ele não admite a possiblidade de qualquer coisa positiva vindo dos homens e da masculinidade, e nega também qualquer possibilidade de que as mulheres possam ter características ou atributos negativos. Eles são sempre opressores, elas são sempre vítimas.
Em um certo trecho desse livro, sem brincadeira, ele afirma que a “supremacia masculina” se mantém graças ao fato de que TODOS os meninos, em um momento ou outro da vida, testemunham violência doméstica contra suas mães. E, em vez de se revoltarem contra isso, consideram esse o status quo das relações entre homens e mulheres.
A “tiuria” que Stoltenberg defende ao longo desse livro é que a masculinidade e a identidade masculina são construtos sociais, baseados na opressão das mulheres, e que os “homens de consciência” (feministos lambedores de absorvente usado) devem rejeitá-los.
As opiniões do autor vão ficando cada vez mais revoltantes ao longo do livro. Em outro trecho, ele afirma que as disputas de guarda dos filhos após divórcio revelam como o relacionamento entre mães e filhos se distorcem e ficam deformados de acordo com o modelo de relacionamento de propriedade entre pais e filhos. Completamente afastado da realidade, ele não parece perceber que há muito tempo, essas disputas favorecem quase exclusivamente as mães.
De fato, o retrato que Stoltenberg faz do mundo e das instituições ditas masculinas é de opressão horrível e implacável. Ideólogos provavelmente leem essas sentenças e não conseguem evitar de abanar a cabeça em concordância, mas novamente, a realidade é bem diferente da ficção feminista.
Se vivêssemos em um mundo tão terrivelmente machista e opressor contra as mulheres, o feminismo como o conhecemos jamais existiria. Ele seria apropriadamente sufocado e extirpado da ordem social no momento em que mostrasse sua face horrenda ao mundo. As primeiras feministas, que exigiam direito ao voto sem precisar se preocupar com o dever correspondente de serviço militar obrigatório, seriam sumariamente executadas, servindo como exemplo a futuras “dissidentes”.
Obras feministas seriam queimadas, destruídas ou de outra forma tiradas de circulação. Seriam consideradas leituras proibidas, e sua mera posse seria considerada traição da mais sórdida.
Em vez disso, o feminismo se entrincheirou no nosso sistema político, legal e econômico, sem muita resistência, desde o início. Feministas ditam políticas públicas que são claramente discriminatórias e muitas vezes, inconstitucionais. Autores feministas fazem palestras em universidades conceituadas, onde são ovacionados por plateias entusiásticas. Seus livros e outros materiais se tornam best-sellers, e não apócrifos.
Se isso é uma manifestação do poder absoluto da “supremacia masculina”, ela não está fazendo direito o seu trabalho.



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