Resenha: Por que os Homens Ganham Mais: A Verdade Surpreendente por trás da Diferença Salarial – E o que as Mulheres Podem Fazer a Respeito, de Warren Farrell
“Por que os Homens Ganham Mais - A Verdade Surpreendente por trás da Diferença Salarial – E o que as Mulheres Podem Fazer a Respeito” foi o segundo livro de Warren Farrell que traduzi, e trata da questão “zumbi” (quando achamos que ela está morta, ela volta com ânimo redobrado) do feminismo: a tal diferença salarial de gênero.
Se feministas não fossem imunes à lógica (e à matemática, a estatística e aos fatos de maneira geral), este livro teria derrubado de vez essa “tiuria” morta-viva.
De fato, ao compararmos os ganhos médios de homens e mulheres, fica evidente uma diferença. Mas isso está longe da afirmação de que “homens ganham mais que mulheres pelo MESMO trabalho”, feita tipicamente pelas ideólogas nazis.
A maioria (se não todos) os países ocidentais possuem leis e regramentos proibindo essa diferenciação salarial. A diferença nos rendimentos se deve, principalmente, às escolhas de carreira e estilos de trabalho diferentes para homens e mulheres, na média. Farrell lista uma profusão de estudos e estatísticas para embasar essas e outras afirmações.
Uma diferença deste livro para o Mito, porém, fica aparente já em seu título: o foco aqui não são os homens (embora ele certamente se ocupe em vários parágrafos, especialmente defendendo-os da acusação de sexismo pela diferença salarial), mas as mulheres. Identificadas as razões para a diferença de rendimentos (mais horas trabalhadas, disponibilidade em viajar e em desempenhar trabalhos perigosos/insalubres, etc.), ele procede aconselhando a elas o que devem fazer se quiserem ganhar mais dinheiro.
O que talvez date um pouco essa obra é que de lá para cá, em diversos países, a retórica feminista convenceu os governos a implementarem outras “soluções”, que envolvem uma igualdade forçada, na forma de cotas, incentivos e privilégios especiais para as mulheres. Esses regramentos atropelam boa parte dos métodos tradicionais de ascensão profissional, como o empenho, o comprometimento e o profissionalismo.
O autor advoga bastante aqui sua versão do “Novo Contrato Social” entre os sexos, e por isso apresenta uma alternativa às mulheres que querem sucesso na carreira: sustentarem seus maridos que se tornariam “donos de casa” em período integral. Talvez a esperança dele nesse ponto traia um tanto de ingenuidade. Será que ele realmente pensa que a mulher média estaria disposta a sustentar um homem que “trabalha”, sem remuneração fixa, cuidando da casa e dos filhos? É até irônico o quanto essas funções são supervalorizadas quando realizadas por mulheres, e diminuídas quando realizadas por homens.
Ademais, Farrell salienta, nessa discussão acerca da diferença salarial muitas vezes se esquece o “poder de ganho”, ou de compra, das mulheres. As mulheres, especialmente as mulheres mais bonitas, tendem a ganhar muitos bens e benefícios de graça, dos homens que estão empenhados em conquistá-las.
Por fim, há que se notar que muitos dos vícios de escrita mais reconhecíveis do autor são bem mais presentes aqui do que no Mito. Há capítulos inteiros dedicados a longas anedotas. E a repetição de ideias também chega a um nível cansativo. Além disso, ele é um autor particularmente difícil de traduzir, considerando sua tendência em construir frases desnecessariamente longas, usando de termos “americanizados” demais que exigem um pouco de imaginação para serem traduzidos.
Mas de maneira geral, a apresentação dos dados em uma quantidade imensa derrubaria o mito da diferença salarial, não fosse, novamente, pela insistência feminista em alimentar a mentalidade de vitimismo para as mulheres.
Diferente do próximo livro de Farrell que traduzi (a ser resenhado em breve), este livro, portanto, é muito bem embasado, e uma recomendação sólida.



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