Resenha - Legalizando a Misandria: Da Humilhação Pública à Discriminação Sistêmica contra os Homens - Paul Nathanson e Katherine Young
A “trilogia” (que foi reformulada e conta hoje com 4 volumes, com um 5º e último em produção) da misandria, nomeada pelos seus autores de “A Queda do Homem”, de Nathanson & Young é uma série de livros muito bem escrita, cuja leitura é bem acessível (ainda que este volume em particular tenha quase 800 páginas).
Este livro, em especial, descreve como as feministas conseguiram entranhar no sistema governamental de vários países, bem como na sociedade em geral, noções misândricas que, por serem tão frequentemente repetidas, ganharam status de verdade incontestável, um axioma.
Na primeira parte do livro, os autores fazem um registro de quatro acontecimentos que ajudaram a moldar a opinião pública da sociedade norte-americana (e outras, também) acerca dos relacionamentos afetivos e sexuais entre homens e mulheres. Tais ocorrências foram exploradas ao máximo por feministas, que usando de generalizações e se aproveitando do viés pró-mulher da sociedade, começaram a martelar na mentalidade das pessoas a noção de que os homens representam tudo o que há de ruim no mundo, e são estupradores e abusadores de crianças em potencial.
Esses acontecimentos foram, em ordem: a histeria de abusos sexuais satânicos na Pré-escola McMartin; O caso Loretta Bobbitt (que decepou o pênis de seu parceiro, depois de acusá-lo sem provas de tê-la agredido); O debate Hill-Thomas (em que Anita Hill acusou o então candidato à Suprema Corte dos EUA, Clarence Thomas, de tê-la assediado sexualmente – novamente, sem apresentar evidência alguma); e o Massacre de Montreal (em que Marc Lépine cometeu um assassinato em massa, exclusivamente contra mulheres).
Na segunda parte, N & Y comentam como os direitos das mulheres (e das mães) acabaram se sobrepondo aos direitos humanos (e dos pais). Uma história interessante foi a de como a ONU, em seus regramentos de proteção à mulher, atropela sua própria Declaração dos Direitos Humanos, além das legislações de proteção às crianças.
A terceira é de longe a parte mais interessante. É aqui que os autores analisam as legislações referentes ao estupro, prostituição, assédio sexual e violência doméstica, e verificam que em sua construção elas contaram com o apoio e a mentoria de feministas lésbicas separatistas, como Andrea Dworkin e Catharine MacKinnon. O desprezo destas pelos homens e sua sexualidade, e sua intenção de minar e prejudicar as relações entre homens e mulheres ficaram evidentes nas peças legais que elas ajudaram a produzir e difundir.
Por fim, a última parte do livro mostra que a origem de tais ideologias nefastas foi a cultura de elite (universidades).
Há também diversos apêndices que aprofundam a discussão acerca de tópicos que não puderam ser discutidos nos capítulos anteriores (ação afirmativa, direitos dos pais, pornografia e livros de romance, etc.).
Quanto à pornografia, Dworkin e MacKinnon conseguiram grandes avanços em proibi-la no Canadá, enquanto nos EUA, foram impedidas de fazê-lo devido à emenda constitucional americana que defende a liberdade de expressão (que é levada muito mais a sério pelos americanos do que por qualquer outro povo no mundo).
Tenho umas poucas críticas aos autores e ao conteúdo do livro. Por vezes, ao ler este livro, eu sentia que os autores estavam sendo cautelosos demais ao não atribuir os princípios da ideologia feminista a todas as feministas, ou então em insistir que a maioria delas se classificaria como “feminista igualitária” (ou então acreditavam realmente, de maneira ingênua, que esse era o caso. Dito isso, ele é extremamente recomendável. Especialmente no que tange aos apanhados históricos, às origens de legislações e regramentos misândricos e ginocêntricos.



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