Smollett 2.0



Estava lendo esses dias a notícia de que um criminoso que já estava há anos no corredor da morte havia sido executado no dia 4 de novembro.
Charles Russel Rhines foi surpreendido em 1992 por Donnivan Schaefer enquanto roubava a loja de rosquinhas da qual fora despedido semanas antes e na qual Donnivan ainda trabalhava. Charles o esfaqueou no estômago, e depois o arrastou para um depósito, o amarrou e o esfaqueou até a morte.
Rhines foi levado a júri um ano depois e considerado culpado por homicídio qualificado, sendo condenado à morte. Foi a execução dele que ocorreu essa semana.
Muitos sites e propagadores de notícia deram atenção ao assunto, em especial a “imprensa LGBT”. O motivo? Charles era gay e em 2018 foram encontradas “evidências” de que a condenação à morte tinha sido fundamentada por um viés anti-gay por parte dos membros do júri.
Não se questionava a culpa de Charles, afinal ele havia confessado o assassinato, às gargalhadas, enquanto comparava os espasmos finais de sua vítima com galinhas sem cabeça correndo no quintal. O que se questionava era a escolha do júri em condená-lo à morte, ao invés de prisão perpétua sem direito a condicional.

Charles Rhines

As tais “evidências”, a princípio, pareciam fortes. Declarações assinadas de dois dos jurados, indicando que à época o sentimento anti-gay na sociedade, além de seus próprios preconceitos, os levou a desconsiderar a pena mais “branda” de prisão perpétua. Em uma dessas declarações, um jurado afirma que outro membro do júri havia comentado durante as deliberações que, sendo um homem gay, Charles iria se sentir “premiado”, se fosse preso e confinado com outros homens.
Além dessas declarações, foi apresentado também um bilhete escrito pelo júri e entregue ao juiz durante o julgamento, em que eles questionavam, entre outras coisas, se o prisioneiro seria colocado junto ao resto da população carcerária, se teria direito a visitas íntimas e se poderia formar grupos de admiradores aos quais poderia se gabar de seus feitos. Todas essas evidências fizeram parte de uma tentativa de apelo e revisão protocolada pelos advogados de Rhines.
Algumas coisas, porém, levantam questões sobre a validade e veracidade das “evidências” apresentadas. Pra começo de conversa, elas surgiram após mais de vinte anos de ter ocorrido o julgamento. Os últimos meses (e anos) ensinaram a opinião pública a olhar com mais cuidado alegações de atividades criminosas feitas décadas após terem supostamente ocorrido, tornando-as extremamente difíceis de serem corroboradas e balizando-se apenas na palavra da pretensa “vítima”.
O bilhete do júri? Uma leitura cuidadosa do manuscrito não aponta para um viés anti-gay. Aponta para um grupo de cidadãos, plenamente cientes da gravidade da decisão que deveriam tomar, preocupados com o fato de que o assassino confesso tinha o potencial de fazer mais estrago vivo e em convívio com presos comuns, do que morto.
Ademais, a organização responsável pela defesa foi a Federal Community Defense Office (algo como “Escritório de Defensores Comunitários Federais”), que a despeito do que o nome sugere, é uma firma de advocacia privada que contrata com a Administração Federal para trabalhar como conselheiros de condenados federais considerados indigentes (que não podem pagar os honorários de advogados privados).
Essa organização possui um extremo viés anti-pena de morte, e usa de métodos antiéticos e impróprios. Nesse caso, a FCDO preparava ciladas para os jurados e os assediavam, perguntando se esses haviam mudado de idéia acerca do veredicto e usando de “evidências” fabricadas para intimidá-los.
O jurado Keeney, que assinou uma das declarações apresentadas pela defesa, possuía à época de sua entrevista e da assinatura da supracitada declaração, problemas de memória e demência, fato este que a FCDO “esqueceu” de mencionar, o que significa que eles, com conhecimento de causa, exploraram a condição mental do jurado para que este viesse a assinar tal declaração não-juramentada.
A Suprema Corte dos Estados Unidos, muito acertadamente negou a petição e levou adiante a sentença emitida pelo júri nos anos 1990. Charles Russel Rhines foi executado nessa segunda-feira à noite via injeção letal.
Muitas das publicações citadas acima foram rápidas em afirmar que o criminoso foi condenado à morte “por ser gay”. O mesmo foi promovido a “garoto propaganda da perseguição aos gays”, assim como no caso de Jussie Smollet, lançando acusações falsas para promover uma agenda pessoal.
O júri condenou o Sr. Rhines à morte pela ausência de remorso e empatia ao se referir à sua vítima. Em sua autobiografia, ele se apresenta como um indivíduo extremamente perturbado e com uma sexualidade pautada no uso de violência e dominação. Em suas últimas palavras, pasmem, ele afirma que perdoa a família de sua vítima, por todo o ódio que direcionavam a ele.
É um ultraje que membros da dita “comunidade” LGBT usem esse assassino como exemplo de perseguição estatal aos homossexuais e como a face de campanhas que visam dissipar estereótipos viciosos sobre os gays. Ele é indigno de qualquer simpatia, e é um triste indicativo do estado atual do ativismo gay que esse ser, entre tantos, tenha sido elevado à condição de profeta das causas gays.
Esse texto tomou como base, extensivamente, os documentos relativos ao caso disponíveis publicamente no site da Suprema Corte dos EUA.

Feminismo Delenda Est!



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