Manos ou Monas: A Efeminação nos Homens Gays

Olá novamente, irmãos! 



Na live com os MGTOWS (ver último post), em determinado momento comentei que muitos homens gays emulam características femininas para serem melhor recebidos junto aos “in groups” femininos. Esse foi o meu caso: as tendências femininas que adquiri na infância foram suprimidas durante a adolescência, e na juventude, quando me associei a grupos femininos/Lgbt, precisei fazer um esforço consciente para emular esses comportamentos, pois deixaram de ser naturais para mim.
Adiante, o Roque me questionou se eu achava que havia homens gays que não emulavam essas características femininas, mas eram naturalmente efeminados, e se estes representavam maioria ou minoria entre os homens gays. Essa pergunta acabou sendo deixada de lado pois outras foram sendo feitas, então resolvi responder a ela aqui.
Mas antes de entrar no mérito do que eu acho ou deixo de achar, achei melhor ver se encontrava alguma pesquisa acadêmica que tratasse da questão estatística. Como geralmente é o caso com as ciências humanas ou sociais, é necessário uma saudável “pulga atrás da orelha”, pois muito da metodologia nesses estudos tem a ver com a percepção das pessoas com relação a elas mesmas e às outras coisas. As pessoas mentem. E se enganam.
Infelizmente, não consegui achar um artigo ou livro original sobre o assunto, apenas citações. De ínício, o verbete “Efeminacy” (efeminação) na Wikipédia aborda a questão em seus últimos parágrafos, apresentando uma revisão feita por Martin Levine em Gay Macho (1998), de autores que estudaram a porcentagem de homens gays que não se “conformavam” com os papeis de gênero tradicionais.
Em tradução livre:
“Harry (1982, 51-52), por exemplo descobriu que 42% dos seus repondentes gays se consideravam ‘mariquinhas’ durante a infância. Apenas 11% de sua amostra heterossexual não se conformava com os papeis de gênero tradicionais. Bell, Weinberg e Hammersmith (1981, 188) reportaram que metade de sua amostra de homossexuais praticava comportamentos não apropriados para o seu gênero na infância. Entre os homens heterossexuais, o índice de não-conformidade era de 25%. Saghir e Robins (1973, 18), descobriram que um terço de seus respondentes gays se conformavam com os papeis de gênero ditados. Apenas 3% de seus respondentes heterossexuais desviavam da norma.”
Uma primeira observação a se fazer sobre esses estudos: eles se concentravam numa auto-avaliação, por homens gays e héteros, de seus comportamentos na infância. Esses comportamentos não necessariamente seguem o indivíduo na sua vida adulta.
Não consegui achar os livros citados por Levine de graça na internet, então não consegui verificar a metodologia utilizada, se a amostra poderia ser considerada suficiente, entre outras coisas. Por sorte, encontrei um estudo sobre a incidência de suicídio ser maior entre homens gays “feminizados” que citava um desses livros, Sexual Preference: Its Development in Men and Women, de Bell, Weinberg e Hammersmith (1981). 


Os autores solicitaram a uma amostra de homens gays e héteros (575 gays e 284 héteros) que se classificassem, numa escala Likert de 7 níveis, entre “altamente feminino” e “altamente masculino”. Novamente, a referência não era a autopercepção desses indivíduos no momento atual, mas por ocasião da infância até a adolescência (17 anos).
Pode-se perceber, analisando os dados recolhidos, que no caso dos homens gays, as respostas estão distribuídas em todo o espectro mas concentradas mais no meio. Poucos dentre eles se identificavam nos níveis mais “extremos” de masculinidade e feminilidade. No caso dos homens heterossexuais, a distribuição é mais concentrada nos últimos níveis, que corresponde à masculinidade.
Eu creio, porém, que os autores cometeram uma desonestidade intelectual ao classificarem o nível mediano (3) como feminino, sendo que este está igualmente equidistante dos extremos. Provavelmente fizeram isso para inflar os números de homens gays se classificando mais como “femininos”. Desconsiderando esse valor, temos que 28% dos homens gays se classificaram nos primeiros níveis (feminino) e 43% nos últimos níveis (masculino). Em contrapartida, apenas 1% dos homens héteros se classificaram nos primeiros níveis, enquanto 91% se classificaram nos últimos níveis.
Isso dito, vamos à minha opinião, advinda da experiência. Creio sinceramente que o que quer que origine as orientações sexuais divergentes (natureza ou criação), há sempre um nível de “disforia” sexual. Alguns apresentam pouca disforia, e portanto são mais masculinizados, enquanto outros apresentam maior disforia, sendo mais afeminados. O nível de aceitação social desses comportamentos deve influenciar o quanto esses comportamentos que surgem durante a infância sobreviverão na idade adulta.



E a nossa sociedade como um todo sente maior rejeição a homens gays do que a lésbicas, e maior rejeição a homens gays feminizados do que àqueles que parecem, se vestem, se portam e agem de maneira mais masculina.



Apesar do movimento “sopa de letrinha” ser extremamente feminizado, e adorar sinalizar virtude exaltando os homens gays afeminados, não apenas em se tratando de buscar parceiros sexuais, mas da percepção que os homens gays em geral têm de seus semelhantes mais “chamativos”, estes não são muito bem-vistos também junto aos seus.
Em uma pesquisa realizada pela revista Attitude em 2017, com mais de 5 mil leitores entrevistados, constatou-se que 71% dos respondentes “broxam” diante de prospetivos parceiros sexuais que apresentem sinais de feminilidade. 29% consideravam características mais efeminadas em homens gays como uma coisa positiva, e 41% afirmaram que homens gays efeminados dão à comunidade uma imagem ou reputação ruim.
Qual a razão, alguém poderia perguntar, dessa rejeição?
Vou tentar dar um chute: quer por emulação ou outra razão, a maioria dos homens gays efeminados geralmente exibem alguns dos piores comportamentos femininos, que poderíamos chamar de “Feminilidade Tóxica”: a necessidade de auto-afirmação; o senso de merecimento (de direitos ou privilégios) simplesmente por existir; o “complexo de diva”; e a falta de controle ou maestria sobre os próprios sentimentos.
Séculos de doutrinação ginocêntrica nos levaram a relevar esses comportamentos, quando apresentados por meninas e mulheres, é claro.


Quando homens começam a se comportar como mulheres, as pessoas não têm necessidade de tratá-los de maneira condescendente. Homens feminizados não possuem nenhuma função na sociedade ginocêntrica. Eles restam incapazes de proteger ou prover para mulheres, e ninguém está disposto a proteger ou prover para eles. Mulheres que são capazes de cumprir com suas funções sexuais primárias e além disso exercer funções “masculinas” são um plus, um recurso a mais. Homens incapazes de exercer suas funções masculinas primárias são vistos como um estorvo e um dreno de recursos valiosos.
Ademais, como já comentei acima, o movimento LGBT, cooptado e lotado por femininas e pró-feministas, tenta exaltar os gays mais feminizados (que recebem mais pontos de opressão) e julgar e condenar aqueles cuja única diferença com os homens hétero é o fato de que eles fazem sexo com outros homens.
Como disse certa vez o filósofo Platinho, a “identidade” homossexual não existe, é uma fabricação totalmente cultural. Mas aqueles que não se conformam com o “padrão” feminizado imposto pelo movimento sopa de letrinha, são por eles chamados, ironicamente, de gays “padrãozinho” ou, ainda mais ridiculamente, “heteronormativos”. Como se o estado natural do homem gay fosse a feminização, e aqueles de nós que agem de maneira mais masculinizada estivessem apenas fingindo para não sofrer tanta rejeição social.
Concluindo, asseguro que não me considero “superior” aos homens gays que possuem um nível maior de disforia do que eu, mas só consegui me sentir em paz comigo mesmo (sem falar em conseguir honestamente parceiros sexuais e afetivos) quando passei a agir do modo que me era natural. E embora a vida ofereça algumas dificuldades a mais para aqueles homens que se portam de maneira mais feminina, não acho que a resposta deva ser a rejeição de tudo aquilo que é masculino (feminismo e derivados), e urjo as “monas” a reconhecerem e abraçarem (em si e nos outros) todos os aspectos da masculinidade que construíram tudo ao nosso redor, e que são, majoritariamente, positivos.

No próximo post, falarei sobre os dois eventos que cindiram o movimento cético ateísta, colocando de um lado feministas tentando cooptá-lo e do outro os céticos "puros" que resistiam a essa invasão: o Elevatorgate e o Atheism+

Até a próxima, irmãos!
Feminismo Delenda Est!


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